Qual é a diferença entre goshuin e carimbo comemorativo? A linha passa por quem carimba, onde se recebe e o que fica escrito
O goshuin é o que a equipe do templo ou santuário concede como prova da visita, com caligrafia a tinta e selo vermelho, e é algo diferente dos carimbos comemorativos deixados em pontos turísticos e lugares assim. A linha mais fácil de ver está em quem carimba. O carimbo comemorativo fica ali para que quem quiser carimbe por conta própria; o goshuin é carimbado pelas mãos dos funcionários, sacerdotes ou monges do templo ou santuário, e o normal é que quem visita não possa carimbá-lo livremente. Onde se recebe, o que fica escrito e a origem também se separam a partir dessa diferença.
Os pontos principais deste artigo
- Onde a diferença aparece com mais clareza é em quem carimba: o que você mesmo pode carimbar não é um goshuin
- O goshuin se recebe no escritório do templo ou santuário (juyosho, shamusho ou nokyosho), depois de ter feito a visita
- No goshuin entram a tinta o nome do templo ou santuário ou da divindade principal e a data da visita; no carimbo comemorativo não fica data
- O selo vermelho era originalmente o recibo de um sutra copiado e entregue a um templo (o nokyoin), uma origem diferente da lembrança turística
Este artigo faz parte de “O que é um goshuin? Uma prova da visita: o significado, a origem e o que está escrito nele”.
Este artigo trata só do que separa o goshuin dos carimbos comemorativos deixados em pontos turísticos e lugares assim. Não entra em se um templo ou santuário específico concede goshuins nem no valor da oferta. Isso é decidido por cada templo ou santuário, e não é algo que se possa listar de fora.
Qual é a diferença entre goshuin e carimbo comemorativo?
Quem carimba é diferente. O carimbo comemorativo fica ali para que quem quiser carimbe por conta própria. O goshuin é carimbado pelas mãos dos funcionários, sacerdotes ou monges do templo ou santuário, e o normal é que quem visita não possa carimbá-lo livremente. O que você mesmo pode carimbar não é um goshuin — só com esse ponto, a maior parte das dúvidas na hora se resolve.
Quando muda quem carimba, mudam também as três coisas que vêm em seguida: onde se recebe, o que fica escrito e a origem. Como o goshuin surgiu está resumido em “o que é um goshuin”.
Os quatro pontos lado a lado
| Goshuin | Carimbo comemorativo de pontos turísticos | |
|---|---|---|
| Quem carimba | A equipe do templo ou santuário | Você |
| Onde se recebe | Escritório do templo ou santuário (juyosho, shamusho, nokyosho) | Onde a mesa do carimbo estiver |
| O que fica escrito | O nome do templo ou santuário ou da divindade principal, a data da visita e palavras como hohai | Só o desenho carimbado. Não fica data |
| Origem | O recibo de um sutra copiado e entregue a um templo (nokyoin) | A lembrança de um passeio ou de um evento |
Esses quatro não são características independentes: o motivo se encadeia de cima para baixo. Vamos ver um por um.
Quem carimba: quem move as mãos é a equipe do templo ou santuário
No goshuin, a caligrafia a tinta e o selo vermelho são aplicados na hora pela equipe do templo ou santuário. Quem visita abre o caderno de goshuins, entrega e espera terminarem de escrever.
O carimbo comemorativo é o contrário: você mesmo aplica o carimbo que está ali. Os carimbos comemorativos que as companhias ferroviárias deixam nas estações também ficam, em geral, do lado de fora das catracas, para qualquer um usar. Quem carimba trocou de lado.
Essa diferença serve direto como critério quando você fica em dúvida. Se o que está na sua frente foi deixado para você carimbar com a própria mão, não é algo para tratar como goshuin.
Onde se recebe: juyosho, shamusho, nokyosho
O goshuin se recebe, nos santuários, no juyosho ou no shamusho (o balcão onde se concedem amuletos e goshuins e o escritório do santuário) e, nos templos, no nokyosho ou no jimusho (o balcão onde se recebem as ofertas de sutras e o escritório do templo). Não é em qualquer lugar do recinto.
E há uma ordem. O guia publicado pela associação de santuários xintoístas de uma província diz que o importante num santuário é fazer a visita e escreve: antes do goshuin, a visita. Receber o selo não vem primeiro; ele é recebido depois, como prova de que você visitou.
O carimbo comemorativo não tem essa ordem. É só carimbar onde ele está, sem precisar fazer nada antes. É por isso que dois gestos que parecem o mesmo — receber um carimbo — são, na verdade, coisas diferentes.
O que fica escrito: a data entra a tinta
No goshuin, o nome do templo ou santuário ou da divindade principal e a data da visita são escritos a tinta. Muitas vezes entra também, no alto à direita ou no alto ao centro, a palavra hohai (“visitei com reverência”). A data quase sempre vem na era japonesa. Por que a data do goshuin é escrita na era japonesa, e o descompasso ao passá-la para um registro está em outro artigo.
Do carimbo comemorativo fica só o desenho. Não fica data, então, quando você olha de novo mais tarde, o papel não diz quando você carimbou.
Essa diferença pesa depois de colecionar. O goshuin traz a data da visita no próprio papel, então, passem os anos que passarem, dá para ler no papel quando você foi. O carimbo comemorativo não guarda data nenhuma fora da memória de quem carimbou.
Origem: o selo vermelho era o recibo de uma oferta de sutra
O selo vermelho era, na origem, o recibo recebido em troca de entregar a um templo um sutra copiado à mão. Receber o selo também se chama nokyo (“oferecer o sutra”), e daí vem o nome nokyocho para o caderno. O caderno de selos também é chamado de shuincho.
Ou seja, o ponto de partida é a prova de algo que se ofereceu, e não a lembrança de ter passado por ali. Com o carimbo comemorativo turístico, as linhas são diferentes desde o começo.
Ainda hoje, nas peregrinações pelos templos de uma rota sagrada se usa o nokyocho, e é comum a caligrafia não trazer data (como isso é feito varia conforme a rota e o templo). Quando vários selos se sobrepõem no mesmo caderno, volta após volta, como reconstruir pelas fotos a qual visita pertence cada selo é assunto de outro artigo.
Três situações em que os dois se misturam
Para distinguir, basta saber quem carimba; a dúvida de verdade aparece um passo antes. Vão três, da mais comum para a menos comum.
Posso pôr carimbos comemorativos no caderno de goshuins?
É mais prudente mantê-los separados. O caderno de goshuins é tratado como o caderno em que se reúnem as provas das visitas, e há templos e santuários que pedem para não misturar outros carimbos nele. Se quiser colecionar carimbos comemorativos, use outro caderno ou uma caderneta.
Quando você recebe uma folha pré-escrita
Às vezes entregam uma folha avulsa com a caligrafia e o selo vermelho já aplicados. Isso não é um carimbo comemorativo. Quem escreveu e carimbou foi a equipe do templo ou santuário; só há motivos para não escrever direto no caderno. Mas a data da visita às vezes fica em branco, e é um papel que perde fácil o “de onde e de quando” até ser colado no caderno. Como tratar a folha pré-escrita recebida e o que anotar está em outro artigo.
Quando colecionar passa a vir em primeiro lugar
Quando você começa a ver os goshuins como números, o tratamento se aproxima do de um carimbo comemorativo. O guia da associação de santuários xintoístas da província também parte da posição de que o goshuin é a prova da visita e de que colecionar selos não é, em si, o objetivo. Por que é melhor não tratar o goshuin como suvenir ou lembrança é um assunto que tratei de frente em outro artigo.
O que fica a critério de cada templo ou santuário
A linha traçada até aqui é sobre a natureza das duas coisas, e vale para qualquer templo ou santuário. Já o que segue é decidido por cada templo ou santuário, e não dá para definir de fora.
- Se aquele templo ou santuário concede goshuins
- Se escrevem direto no caderno ou entregam uma folha pré-escrita
- O horário de atendimento
- O valor da oferta
Em todos os casos, o aviso do dia e as orientações do escritório vêm antes de tudo. Nenhuma explicação de fora, este artigo incluído, vale mais que o aviso.
Na hora de rever, o problema são os selos que não se conseguem ler
Depois de entender a linha, sobra o problema de reler os goshuins que você tem. O goshuin é escrito a pincel e, sem prática, às vezes não dá para ler nem o nome do templo ou santuário nem a data.
Logo depois da visita não há problema, porque a lembrança está fresca. O problema aparece quando você revê o caderno depois de enchê-lo. A data na era japonesa, o nome do templo ou santuário em letra cursiva, a folha pré-escrita com a data em branco: quando os três se juntam, só pelo papel já não dá para saber de quando é cada página.
A saída é simples: enquanto a lembrança está fresca, anote fora do papel o nome do templo ou santuário e a data da visita. O passo a passo para fazer isso reorganizando as fotos que você já tem está em “como organizar depois as fotos de goshuins acumuladas no celular e transformá-las em registros”. Sobre fotografar o goshuin em si, até onde isso é aceitável é tratado em outro artigo.
Perguntas frequentes
- Posso carimbar o goshuin eu mesmo?
- Não. O goshuin é carimbado pelas mãos dos funcionários, sacerdotes ou monges do templo ou santuário, e o normal é que quem visita não possa carimbá-lo livremente. Mesmo quando não há ninguém à vista no escritório, ou quando o selo e a almofada de tinta parecem estar à disposição no balcão, não carimbe por conta própria. Se não encontrar ninguém, o seguro é voltar num horário em que dê para chamar alguém.
- No recinto havia uma mesa com um carimbo que eu mesmo podia usar. Isso é um goshuin?
- O que está ali para você carimbar por conta própria deve ser tratado como algo diferente do goshuin: só a diferença de quem carimba já basta para distinguir. Se quiser receber um goshuin, procure o aviso do juyosho, do shamusho ou do nokyosho, o escritório do templo ou santuário, e vá até lá depois de fazer a visita. Nos lugares que têm os dois, o aviso costuma dizer qual é qual.
- Posso pôr carimbos comemorativos de estações ou pontos turísticos no caderno de goshuins?
- É mais prudente mantê-los separados. O caderno de goshuins é tratado como o caderno em que se reúnem as provas das visitas, e há templos e santuários que pedem para não misturar outros carimbos nele. Se quiser colecionar carimbos comemorativos, use outro caderno ou uma caderneta. Se já carimbou, deixe aquela página sem usar e receba os goshuins a partir da página seguinte, ou pergunte no escritório.
- O goshuin pré-escrito já vem carimbado. Então ele é igual a um carimbo comemorativo?
- Não. O pré-escrito é uma folha avulsa preparada pelo templo ou santuário, com a caligrafia e o selo vermelho aplicados de antemano, e quem escreveu e carimbou foi a equipe do templo ou santuário. Os motivos para não escrever direto no caderno são variados, e como isso é feito fica a critério de cada templo ou santuário. A data da visita às vezes fica em branco, então, ao receber a folha, deixe claro de onde e de quando ela é.
- Qual é o valor da oferta?
- Varia de um templo ou santuário para outro. Para o valor da oferta, siga o aviso afixado no local ou as orientações do escritório. Em vez de pesquisar o valor antes, a ordem mais segura é fazer a visita e depois pedir o goshuin. Se não houver um valor indicado, não tem problema perguntar no escritório.