Acervo de Goshuins

Por que a data do goshuin vem na era japonesa? Como lidar com o calendário gregoriano na hora de registrar

O goshuin segue o formato que os templos e santuários mantêm há gerações, por isso a data da visita também costuma vir na era japonesa. Já o calendário do celular e a data da foto aparecem, em geral, no calendário gregoriano, então é preciso converter ao passar tudo para um registro. Reiwa 1 começa em 1º de maio de 2019 e Heisei 1, em 8 de janeiro de 1989, e os registros que atravessam essas viradas são justamente onde a ordem mais se confunde. Guarde no registro as duas formas, a da era japonesa e a gregoriana, e ordene pela gregoriana: assim a ordem não se desfaz.

Publicado: (última atualização: ) por 友田 陽大 (desenvolvedor do Acervo de Goshuins)

Os pontos principais deste artigo

  • Em geral, o goshuin traz três elementos: “hohai”, o nome do templo ou santuário (ou da imagem venerada ali) e a data da visita
  • A data da visita vem na era japonesa porque segue o formato que os templos e santuários mantêm há gerações
  • Reiwa 1 começa em 1º de maio de 2019; Heisei 1, em 8 de janeiro de 1989
  • Showa 64 durou só sete dias, até 7 de janeiro de 1989
  • Guarde no registro a era japonesa e o calendário gregoriano, e ordene pelo gregoriano: assim a ordem não se desfaz

Este artigo trata só do formato em que a data vem escrita no goshuin e do desencontro que aparece quando ela passa para um registro. Não entra na etiqueta da visita nem na origem do goshuin.

O que vem escrito em um goshuin?

O básico são três elementos — “hohai”, o nome do templo ou santuário (ou da imagem venerada ali) e a data da visita —, e sobre eles são carimbados os selos vermelhos. A disposição muda conforme quem escreve, mas esses três elementos são, em geral, os mesmos.

Hohai é uma palavra que quer dizer, mais ou menos, “visitei com reverência”. Costuma vir no alto à direita ou no alto ao centro, e a data da visita fica embaixo ou ao lado. Nos templos budistas, às vezes aparece outra palavra no lugar do hohai, como “honokyo”.

Para achar a data, olhe perto do hohai e use como referência os caracteres do nome da era, como Reiwa ou Heisei.

Por que a data vem na era japonesa e não no calendário gregoriano?

Porque segue o formato que os templos e santuários mantêm há gerações. A maioria dos goshuins é escrita a pincel, de cima para baixo, e, dentro desse formato, a data também sempre foi registrada na era japonesa. Fica mais fácil entender isso não como um costume antiquado, mas como uma notação coerente com o resto da página.

Mas é o costume, não uma regra. O formato muda conforme quem escreve e conforme o templo ou santuário, e às vezes nem há data. O nokyocho, o caderno levado nos circuitos de peregrinação, é um dos que muitas vezes não trazem a data da visita na escrita a nanquim (a prática varia de circuito para circuito e de templo para templo). Quando você percorre o mesmo circuito várias vezes e os selos se sobrepõem no mesmo nokyocho, como registrar a que visita pertence cada selo está em outro artigo.

Quando começaram Reiwa, Heisei e Showa?

Reiwa começou em 1º de maio de 2019; Heisei, em 8 de janeiro de 1989; e Showa, em 25 de dezembro de 1926. São essas viradas que causam problema na hora de passar as datas para o registro. São fatos fixos, então, uma vez que você os conhece, pode usá-los como estão.

Era Início Fim
Reiwa 1º de maio de 2019 (atual)
Heisei 8 de janeiro de 1989 30 de abril de 2019
Showa 25 de dezembro de 1926 7 de janeiro de 1989

Há dois pontos de atenção.

2019 atravessa duas eras. De 1º de janeiro a 30 de abril é Heisei 31; de 1º de maio a 31 de dezembro, Reiwa 1. No mesmo ano de 2019, uma visita em abril e outra em maio levam eras diferentes.

Showa 64 durou só sete dias. De 1º a 7 de janeiro de 1989. Um goshuin recebido nesses sete dias tem a data em Showa 64. Antes de digitar, confira se a ferramenta em que você mantém o registro aceita “Showa 64”.

O celular usa o calendário gregoriano, e o registro se desencontra

No goshuin está a era japonesa, e o celular normalmente mostra o calendário gregoriano; por isso, cada data que você passa para o registro precisa ser convertida. A data da foto, o calendário e o campo de data da maioria dos apps estão todos no calendário gregoriano. Na prática, é aqui que mora a parte mais chata do trabalho.

Um registro não é nada. Cinquenta registros são cinquenta conversões. E, se você trocar a era numa delas, a ordem sai errada. Como ela sai errada, a próxima seção mostra com um exemplo; perceber só depois de ordenar significa refazer o trabalho.

A conversão pesa mais para quem registra tudo depois, de uma vez. Se você registra um goshuin logo depois de cada visita, a única data que converte é a de hoje. Se volta anos atrás e processa tudo de uma sentada, os registros de um ano que atravessa uma troca de era, como 2019, aparecem misturados aos outros.

O que acontece com a ordem quando os registros atravessam uma troca de era?

Se você ordenar só pelo número do ano, ignorando a era, um registro de Heisei 31 vai parar atrás dos registros de Reiwa, e a ordem em que você visitou se perde. Um exemplo explica mais rápido.

Digamos que você tenha três registros: “Heisei 31, março”, “Reiwa 1, junho” e “Reiwa 2, janeiro”. Na ordem em que você visitou, é essa a ordem.

Agora ordene esses registros do menor número para o maior, contando o primeiro ano da era como 1 e ignorando a era — e você terá Reiwa 1, Reiwa 2, Heisei 31, porque 1 < 2 < 31. O registro mais antigo, o de Heisei 31, vai para o fim da fila.

A mesma bagunça acontece quando se troca a era. Se você digitar uma visita de junho de 2019 como “Heisei 31, junho”, ao ordenar pela era esse registro entra antes do registro de “Reiwa 1, maio”, embora seja de depois. E só de olhar a ordem você não percebe o erro, porque ele fica a poucos meses dos registros vizinhos e nada parece fora do lugar.

A solução é simples: ordene pelo calendário gregoriano. Convertidos para o gregoriano, os registros ficam na ordem em que você visitou, sem depender do tamanho dos números da era nem de uma era trocada. Se a sua ferramenta guarda a data no calendário gregoriano e só a mostra na era japonesa, isso basta. Se você controla tudo à mão, numa planilha, crie sempre uma coluna com a data convertida para o gregoriano e ordene por ela. Em que formato deixar essa coluna gregoriana na planilha e onde a ordem costuma se desarrumar está em outro artigo.

Guarde no registro a era japonesa e o calendário gregoriano

O mais seguro é guardar as duas formas e ordenar pela gregoriana. Cada uma serve para conferir o registro com uma coisa diferente.

  • A era japonesa serve para conferir com o goshuin. Quando você revisa o registro com o goshuin à sua frente, a mesma notação dos dois lados agiliza a conferência.
  • O calendário gregoriano serve para ordenar e para cruzar com outros registros. A data da foto, o roteiro da viagem, o histórico de transporte — tudo está no calendário gregoriano.

Se só der para guardar uma, é mais seguro ficar com o calendário gregoriano. Só com a era japonesa, como no exemplo da seção anterior, a ordem se desfaz ao ordenar. Continua o trabalho de converter para a era japonesa cada vez que você confere com o goshuin, mas as viradas da tabela acima resolvem isso, e é bem mais leve do que caçar e consertar uma ordem bagunçada.

Quando o goshuin não tem data, ou ela não dá para ler, o passo a passo para chegar à data da visita pela data da foto e por outras pistas está em outro artigo. Como pensar se vale escrever você mesmo a data num goshuin pré-escrito com o espaço da data em branco também está num texto à parte. O fluxo completo da organização está em “Como organizar e registrar depois as fotos de goshuins acumuladas no celular”.

Perguntas frequentes

O que significa “hohai”?
É uma palavra que quer dizer, mais ou menos, “visitei com reverência”. Costuma vir no alto à direita ou no alto ao centro do goshuin, e a data da visita fica embaixo ou ao lado. Nos templos budistas, às vezes aparece outra palavra no lugar do hohai, como “honokyo”.
Dá para registrar goshuins das eras Taisho e Meiji?
Depende da ferramenta em que você mantém o registro. Se você monta o seu numa planilha, acrescente à lista de viradas de era a Taisho (a partir de 30 de julho de 1912) e a Meiji (a partir de 1868), e ordene pela coluna convertida para o calendário gregoriano. No app que desenvolvo, você escolhe a era entre Reiwa, Heisei, Showa, Taisho e Meiji ao digitar a data da visita, e os registros ficam na ordem do dia em que você visitou.
Quando exatamente Heisei virou Reiwa?
Reiwa 1 começa em 1º de maio de 2019. Até a véspera, 30 de abril de 2019, ainda era Heisei 31. Subtraindo 2018 do ano gregoriano você chega ao ano de Reiwa, e subtraindo 1988, ao de Heisei — mas, em 2019, quem decide são o mês e o dia: até 30 de abril é Heisei 31; a partir de 1º de maio, Reiwa 1. Com 1989 acontece o mesmo: até 7 de janeiro não é Heisei, e sim Showa 64.
No registro, escrevo “gannen” ou “ano 1”?
Tanto faz, desde que você fique com uma forma só. Se “Reiwa gannen” (o primeiro ano da era) e “Reiwa 1” se misturam, uma busca por texto ou um filtro divide em dois os registros do mesmo ano. E, mesmo que a data no goshuin esteja escrita com numerais em kanji, use algarismos comuns no registro: fica mais fácil buscar e converter para o calendário gregoriano.
No registro, guardo a data na era japonesa ou no calendário gregoriano?
O mais seguro é guardar as duas e ordenar pela gregoriana. Se for mesmo para ficar com uma só, fique com o calendário gregoriano, porque só com a era japonesa é difícil evitar que um registro de Heisei 31 vá parar atrás dos de Reiwa. A era japonesa, na hora de conferir com o goshuin, você obtém convertendo a partir da data gregoriana.