Acervo de Goshuins

Caderno de goshuins cheio no meio da viagem: três saídas, e o que fazer com um registro dividido em dois cadernos

Quando as páginas do caderno de goshuins acabam no meio da viagem, há três saídas: comprar um segundo caderno por lá, virar o caderno que você já tem e usar o verso das páginas, ou receber um goshuin pré-escrito e colar depois. As três são formas normais de usar o caderno, e nenhuma delas é falta de etiqueta. Mas escreverem no verso de uma face já escrita, ou haver goshuins pré-escritos disponíveis, fica a critério de cada templo ou santuário, então o mais seguro é perguntar no escritório. O que complica depois não é o papel, e sim o registro: quando uma viagem se divide em dois cadernos e algumas folhas soltas, só a ordem das visitas deixa de ficar no papel.

Publicado: por 友田 陽大 (desenvolvedor do Acervo de Goshuins)

Os pontos principais deste artigo

  • São três saídas — comprar um segundo caderno na viagem, usar o verso, receber um goshuin pré-escrito. As três são formas normais de usar o caderno
  • O caderno de goshuins em sanfona é uma única folha de washi dobrada, com uma sequência de faces na frente e outra no verso
  • As páginas em sanfona são duas camadas de washi coladas, por isso a tinta quase não atravessa, e a sequência do verso também foi feita para ser escrita
  • Escreverem no verso de uma face já escrita fica a critério de cada templo ou santuário
  • Assim que os cadernos virarem dois, anote no lado de dentro da capa o número do volume e a data em que começou a usá-lo

Este artigo trata só das saídas quando as páginas do caderno de goshuins acabam no meio da viagem e de como rever depois um registro dividido em dois cadernos. Não trata de como pedir um goshuin nem da etiqueta da visita.

O caderno de goshuins lotou no meio da viagem. O que eu faço?

Há três saídas, e nenhuma delas é falta de etiqueta: comprar um segundo caderno por lá, virar o caderno e usar o verso das páginas, ou receber um goshuin pré-escrito. É algo que se decide ali, no mesmo dia, e não vale a pena travar por causa disso.

O que pesa vem depois. Uma única viagem fica dividida em dois cadernos e algumas folhas soltas, e só a ordem das visitas deixa de ficar registrada no papel. É desse lado que este artigo gasta a maior parte das linhas.

As três saídas lado a lado

Saída O que você ganha no mesmo dia Pontos de atenção
Comprar um segundo caderno na viagem Páginas para escreverem na hora, e um caderno que guarda o templo ou santuário onde foi comprado Pode ter tamanho diferente do primeiro. O registro da viagem fica dividido em dois cadernos
Usar o verso do caderno que você já tem Nada a mais para carregar, e a volta continua com um caderno só Escreverem ali fica a critério de cada templo ou santuário. Há quem prefira não usar o verso
Receber um goshuin pré-escrito Dá para receber mesmo sem página livre A folha não tem número de página, então a ordem fica só na memória

Comprar um segundo caderno na viagem

Os cadernos de goshuins são vendidos no escritório dos templos e santuários, e muitos têm modelos com o desenho do próprio lugar. Lojas de artigos japoneses e papelarias também passaram a vendê-los, então, mesmo longe de uma cidade grande, você não fica sem opção.

O que convém decidir antes é o tamanho. Os cadernos de goshuins não têm um tamanho único, e um escolhido pela capa pode ser maior do que o primeiro, que está na sua bolsa. Isso não impede que escrevam nele, mas os dois não ficam alinhados na estante, e o número de páginas também varia de caderno para caderno.

Virar o caderno e usar o verso

É a saída que a gente menos percebe que tem. Para quem conhece a construção do caderno, é óbvio; para quem acabou de começar, nem passa pela cabeça.

O caderno de goshuins em sanfona não é um conjunto de folhas encadernadas. É uma única folha de washi dobrada em zigue-zague, com capas duras nas duas pontas. Por isso ele tem duas sequências de faces: a da frente e a do verso, que aparece quando você vira o caderno. O verso não é um improviso. As páginas em sanfona são duas camadas de washi coladas, feitas para que a tinta de uma face não chegue à outra.

O caderno costurado à japonesa é feito de outro jeito, com folhas finas, e por isso muita gente usa só um lado. Em qualquer dos dois tipos, há quem prefira não usar o verso para manter o papel impecável. Nenhuma das escolhas é a certa. Para saber quantas faces ainda restam, a forma de contar está em do que dependem o tamanho e o número de páginas de um caderno de goshuins.

Escreverem no verso de uma face já escrita fica a critério de cada templo ou santuário. Não existe uma regra nacional a que se possa recorrer, então o mais seguro é abrir o caderno nessa página e perguntar no escritório.

Receber um goshuin pré-escrito

Muitos templos e santuários deixam goshuins escritos em folhas separadas para os dias em que ninguém pode escrever ou para as épocas de muito movimento. Se o caderno está cheio e você ainda não quer comprar um segundo, é assim que dá para receber o goshuin do dia.

O trabalho não está no papel em si, e sim na organização depois. Uma folha guardada num envelope não tem número de página nem vizinhas, então, alguns meses depois, você já não sabe qual do monte veio antes. O que é um goshuin pré-escrito e como guardá-lo de um jeito que dê para ordenar depois está em outro artigo.

Dez minutos na hospedagem, uma hora depois de voltar

Antes de voltar, fotografe em ordem as páginas dos dois cadernos, e as folhas pré-escritas na ordem em que as recebeu. Esta é a única tarefa que não dá para recuperar depois, porque depende do que você lembra agora, e não do que ficou no papel.

Para que as fotos sirvam depois, há três condições.

  1. Uma foto por goshuin, com a data escrita dentro do enquadramento. Se você resolve a página dupla com uma foto só, depois não dá para mover apenas um dos dois goshuins.
  2. Fotografe no mesmo dia. A foto guarda a data em que foi tirada, então, fotografando no dia em que recebeu o goshuin, a data da foto e a data da visita ficam iguais. Se você fotografa tudo no fim da viagem, as datas de todas as fotos se amontoam no último dia.
  3. Fotografe também a capa e o lado de dentro dela. É onde você anota o número do volume e a data de início; se isso aparece na foto, você não precisa lembrar qual era o primeiro caderno.

Se for fazer só uma das três, fique com a segunda.

O que se desfaz não é o papel, é o registro

De volta em casa, você abre os cadernos e não há nada de errado com eles. O problema é que três informações se perderam ao mesmo tempo, e cada uma esconde a falta das outras.

  • Qual caderno. Cadernos pela metade não se distinguem por fora, e os goshuins lá dentro não dizem atrás de qual capa estavam.
  • Em que ordem. Até então, a ordem das páginas respondia. Divididos em dois cadernos e algumas folhas, a ordem das páginas só responde dentro de cada caderno.
  • Quando. A data está escrita na maioria dos goshuins, mas na era japonesa. O calendário do celular e a data da foto estão no calendário gregoriano, então, para ordenar, é preciso converter todas as datas.

Quem trava, trava mais no terceiro — não porque seja difícil, e sim porque é repetitivo. Um não é nada; trinta tomam uma noite inteira. E ainda há uma armadilha. A era muda no meio de um ano gregoriano, então, se você ordenar só pelo número do ano sem olhar a era, o goshuin mais antigo vai para o fim da fila. Como ler a data na era japonesa escrita no goshuin e onde a ordem se desarruma está em outro artigo, junto com a lista das viradas de era.

Assim que os cadernos virarem dois, acrescente isto ao registro

Numere os cadernos na ordem em que começou a usá-los, e numere as páginas a partir do 1 em cada caderno. Dá para fazer no caminho de volta, e isso amplia as formas de procurar dali em diante.

No lado de dentro da capa, anote o número do volume e a data em que começou a usá-lo. Com isso, cada goshuin que você tem em mãos ganha um endereço de duas partes: “página tal do caderno tal”. Dois cadernos sem número, um ano depois, já não se distinguem.

Mesmo que tenha havido um período em que você alternava dois cadernos conforme o destino, desse jeito nada se mistura. Como o número da página fica fechado dentro do caderno, os números não colidem mesmo com os dois em uso ao mesmo tempo. A ordem no tempo entre os dois cadernos aparece quando você ordena pela data da visita, não pela página. O essencial é guardar o lugar no papel e o momento no tempo como coisas diferentes. Como numerar quando os cadernos aumentam está explicado em detalhe em anotar cada caderno no registro antes de perder a conta de qual é qual.

O que você vai poder perguntar depois depende do que guardou

Guardar o caderno e a página, e não só a data da visita, faz sentido porque cada pergunta precisa de um campo diferente.

O que você quer perguntar depois O campo que precisa ter guardado
Nesta viagem, que templos e santuários visitei, e em que ordem A data da visita de cada goshuin
Qual era o goshuin daquela página O caderno e a página dentro dele
Onde comprei o segundo caderno O templo ou santuário onde foi comprado
De quando a quando vai cada caderno O caderno e as datas da visita dentro dele

Guardando só a data da visita, as duas últimas perguntas ficam sem resposta. Guardando só o caderno e a página, fica sem resposta a primeira. Ter dois cadernos é justamente o ponto em que um só desses campos deixa de bastar. A ordem do trabalho de organização está em reunir as fotos, definir as datas da visita e distribuir por caderno e página, em três etapas.

Como o app que desenvolvo lida com dois cadernos

O “Acervo de Goshuins” foi feito justamente para registrar essa situação. Vou listar o que ele faz e o que não faz.

Quando você escolhe várias fotos na biblioteca de fotos, elas são importadas com a data da foto como valor inicial da data da visita. A data da visita pode ser corrigida goshuin por goshuin, ou um intervalo inteiro de uma vez, mantendo a era japonesa escrita no goshuin. Depois, ao escolher um caderno, os números de página são atribuídos dentro dele. Cada caderno pode ter um nome, o templo ou santuário onde foi comprado e a data de início, e uma das fotos do caderno pode virar a capa. Buscando pelo nome do templo ou santuário, pela leitura, pela nota, pela data da visita na era japonesa ou pelo tipo, o resultado mostra em que caderno e em que página está cada goshuin.

Também há o que ele não faz. Os números de página não são lidos do papel: são atribuídos no fim do caderno, na ordem em que você adiciona. Se você adicionar numa ordem diferente da do papel, reordena com “Subir” e “Descer”, mas cada movimento só troca de lugar com a página vizinha. A página dupla também conta como uma página, então, num caderno que tenha página dupla, os números depois dela ficam menores do que as páginas contadas no papel. Não há campo para a data em que o caderno terminou, e o app não sincroniza entre aparelhos.

O primeiro caderno não exige compra e aceita quantos registros você quiser. Para criar um segundo caderno dentro do app, é preciso o “Acervo Completo”, de pagamento único. Ou seja, se numa viagem você esgotou um caderno e passou para o segundo, a compra não é algo que surge no meio do caminho: ela é pressuposta desde o começo. Adicionar as fotos importadas a um caderno uma por vez não exige compra; “Adicionar tudo ao caderno” vem com o Acervo Completo. Confira o preço na App Store. O que a compra libera está na seção de preços.

O que fica a critério do templo ou santuário, e o que você decide

Duas das decisões deste artigo não estão nas suas mãos. Escreverem no verso das páginas e haver goshuins pré-escritos disponíveis são decisões de cada templo ou santuário, e variam de lugar para lugar. Perguntar não é falta de educação; é a única forma de confirmar.

O resto você decide, e a única coisa urgente são as fotos. O goshuin é recebido como prova de uma visita que você fez, e registrá-lo serve para você poder voltar àquele dia mais tarde. Um caderno que se encheu no meio da viagem também quer dizer que foi uma viagem bem aproveitada.

Perguntas frequentes

Posso usar o verso das páginas do caderno de goshuins?
Se for em sanfona, pode, sem problema. As páginas em sanfona são duas camadas de washi coladas, a tinta dificilmente passa para a outra face e a sequência do verso também foi pensada para ser escrita. O caderno costurado à japonesa é feito de folhas finas, por isso muita gente usa só um lado. Em qualquer dos dois tipos, há quem prefira não usar o verso para manter o papel impecável. Mas escreverem no verso de uma face já escrita fica a critério de cada templo ou santuário, então abra o caderno nessa página e pergunte no escritório.
O segundo caderno que comprei na viagem tem tamanho diferente do primeiro. Tem problema?
Para escreverem nele, não. Os cadernos de goshuins não têm um tamanho único, e um caderno comprado em outro templo ou santuário pode receber os goshuins seguintes normalmente. O tamanho pesa do seu lado: os cadernos não ficam alinhados na estante, e a margem muda quando escrevem um goshuin em página dupla. O número de páginas também varia de caderno para caderno, então conhecer os tamanhos e os tipos de encadernação antes de escolher o segundo ajuda a decidir sem hesitar.
O caderno estava cheio e, naquele dia, não puderam escrever nele. O que eu faço?
Pergunte se há goshuins pré-escritos. Muitos templos e santuários deixam goshuins escritos em folhas separadas para os dias em que ninguém pode escrever ou para as épocas de muito movimento. Ter ou não fica a critério de cada templo ou santuário. A folha que você recebe não tem número de página, então anote no registro, no mesmo dia, onde a recebeu.
Tenho dois cadernos pela metade e usava um ou outro conforme o destino. Como separo o registro?
Numere os cadernos na ordem em que começou a usá-los e numere as páginas a partir do 1 em cada caderno. Mesmo usando os dois ao mesmo tempo, nada se mistura, porque o número da página fica fechado dentro do caderno. A ordem no tempo entre os dois cadernos aparece quando você ordena pela data da visita, não pela página. Se a ordem das páginas e a das datas da visita não baterem, não é preciso reescrever nenhuma das duas: o lugar no papel e o momento no tempo são guardados como coisas diferentes.
Depois de voltar da viagem, como junto as fotos dos dois cadernos numa lista só?
Divida o trabalho em três etapas e respeite a ordem: reunir as fotos num só lugar, definir a data da visita pela data escrita em cada goshuin e distribuir por caderno e página — nessa ordem. Se você distribuir antes e corrigir as datas depois, a ordem se desfaz de novo, então defina as datas primeiro. É nessa segunda etapa que se lê a data na era japonesa, então deixe-a para um momento sem pressa.